sábado, 3 de setembro de 2011

RESENHA DO FILME: QUANTO VALE OU É POR QUILO

Filme brasileiro do gênero drama do ano de 2005, dirigido por Sérgio Bianchi.
Produzido em duas cenas, fazendo um paralelo entre a sociedade do período colonial (de exploração da escravatura) e a situação de miséira contemporânea.Casos do período escravocrata retirados do Arquivo Nacional (RJ).

No início do filme, numa cena noturna, um escravo é preso e levado.Uma escrava fugitiva, grávida, do século XVIII, é capturada por um caitão-do-mato e após entregá-la ao seu dono, ela aborta o filho que espera. Sua dona segue protestando, mas sem êxito.
Uma situação que se repete na atualidade, onde a diferença está apenas nas personagens.Muitas pessoas ainda vivem aprisionadas: Pelas drogas; amor excessivo ao dinheiro; empréstimos bancários, etc.
No período colonial os negros eram explorados e discriminados, mas na atualidade a discriminação racial ainda não acabou, continua em muitos casos, sem punição. E não só isto, mas ainda existe muito desrespeito, violência, corrupção e lavagem de dinheiro.
No filme, as personagens representam as classes sociais de origem. Assim, o “fazer o bem” tem significado diferente para as senhoras que ajudam nas ONGs e para o bandido que seqüestra um empresário, fazendo justiça social com as próprias mãos.
O filme mostra na atualidade o nosso passado escravista, e percebemos que não dá pra olhar o presente sem levar em conta o passado, as desigualdades econômicas, sociais e de direitos no país.Desenvolve um tema de abuso econômico da miséria e faz da denúncia seu negócio. Na atualidade do filme, mostra uma ONG que implanta um projeto de informática na Periferia de uma comunidade carente. Arminda, que trabalha no projeto, descobre que os computadores comprados foram superfaturados e, por causa disto, corre risco, agora será eliminada. Candinho, um jovem desempregado cuja esposa está grávida, torna-se matador de aluguel para conseguir dinheiro para sobreviver.

Critica ONGs que administram mal os recursos recebidos e usam da miséria para conseguirem verbas, embora o diretor em uma entrevista comente que o filme não é sobre ONG, e diz que está falando sobre as negociações em cima dos excluídos e enfoca a cultura brasileira de adoção de criança pobre.


Quanto vale ou é por quilo?” mostra como a sociedade brasileira, caracterizada pela transferência de responsabilidade do interesse público para o privado, torna mercadoria aquele que ajuda. A postura positiva para a obtenção de retorno. Em última análise, mostra a hipocrisia. A batalha entre minorias e maioria, sendo que os primeiros são domesticados por aqueles que são bons, por meio da filantropia.

Nas cenas uma espécie de marketing, digamos, social é astuciado por uma suposta solidariedade com intenção de tirar proveito.

O filme não ameniza os contrastes das classes sociais; as interliga em torno dos problemas sociais, formando núcleos que mantém o status quo de doar e receber. Marketing social, apoio do cliente-cidadão que, sem questionar, confia nos projetos sociais promovidos pelas empresas e uma possível teia de corrupção, são as respostas lucrativas que uma empresa do Terceiro Setor pode receber.

Bianchi termina o filme com dois finais possíveis, dando a entender que mesmo que não sejam apenas aquelas as opções, é o espectador que dará novos desfechos para a nossa História.
"O filme é pura promoção do conflito". Pois é, ficou tudo tão evidente que para alguns é preferível imaginar que o conflito ainda não está posto no cotidiano brasileiro.

Venceu nas categorias de melhor filme - júri popular, melhor diretor e melhor edição.

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